A querela do diálogo inter-religioso

Dada a missão evangelizadora segundo as Epístolas de São Paulo, de anunciar o Evangelho até os confins do mundo, a conversão acontecia por aqueles que estavam perdidos e não a partir daqueles que já estavam dentro de uma religião.

Os discípulos receberam do próprio Cristo a incumbência de levar a Sua palavra, mas também, foram alertados e instruídos para quando eles não fossem recebidos em qualquer cidade que visitassem, "nem a poeira das suas sandálias".

O diálogo inter-religioso é sempre problemático e irresoluto. Começa no final do século XX por iniciativa protestante, e se enraizou principalmente dentro da Igreja Católica até hoje. Algumas perguntas são colocadas sobre a mesa, (1) quais foram os frutos reais dessa proposta? (2) Que necessidade haveria de suceder, reunir todas as religiões para debater acerca dos problemas sociais de alta complexidade, a exemplo da pobreza e a desigualdade dos bens materiais? (3) Que fundamento tem, durante os diálogos, realizar celebrações que envolvem todas elas ao mesmo tempo? Embora existe limites intransponíveis e intercessões entre as religiões, não vejo nitidamente essa separação. De duas uma: ou não existe este negócio de reunir todas as religiões em prol de um fim inalcançável ou é um projeto para criar uma outra "religião".

Teremos que prestar atenção às palavras, sem mudar o sentido, mas podemos conduzir a conversa a uma realidade mais ampla, adaptada à ocasião. A igreja nunca se preocupou tanto com os não-catolicos como agora. Precisamos de uma nova caminhada em direção aos gentios de nossa era; precisamos de novos Apóstolos Paulos. Profissional em se acomodar às circunstâncias e se adaptar aos tempos e as condições de cada um, que diga: "para o judeu eu me tornei judeu, para o pagão eu me tornei pagão". A fim de ganhar almas para Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em alguns meios católicos, quererem viver a religião de acordo com a mentalidade medieval, onde as disputas e as razões da fé tinham alguma importância acadêmica. Quando alguém faz um questionário, a pessoa já cita séculos de literatura clássica e de documentos que tiveram data e contexto. No fundo são só intimidações sem valor catequético e sem finalidade de converter pelo exemplo e doutrina de Cristo. Depois dizem que a verdade deve ser dita. A verdade deve ser dita, mas com propósito, e não inutilmente. Existiam as questões disputadas, porque a defesa da fé só poderia acontecer em face de uma resistência, ou seja, entre uma religião e o dissidente desta religião. E combateram brilhantemente. A verdade que conheço é conforme o ser, aquele ser que é pai de todos os seres criados. A verdade, deve conduzir ao ser, no qual se converte, enfim a verdade deve conduzir a alguma coisa a qual a verdade compete manifestar. Usar a verdade para outras finalidades, que não a verdade mesma, mas a falsidade e ao não-ser, isso o pai da mentira sabe fazer, até com a melhor das intenções. Contanto, devemos saber que tudo o que é suscetível de mais e de menos pode ser usado ou para o bem ou para o mau. Acontece que todo extremo é também vicioso, até a virtude é o ápice entre dois extremos. Então vemos pessoas que pecam por excesso, nessa questão, e outros que pecam por excessiva severidade, a ponto de não se submeter a nenhum diálogo.

Portanto, ao me ver, o diálogo inter-religioso é um problema delicado demais. Existe intercessões entre elas e por outro lado, barreiras intransponíveis. O diálogo se deve unir a oração, donde não ser possível atingir a paz sem o auxílio do Príncipe da Paz. Para criar inimizades, várias coisas concorrem, mas para preservar a unidade, só existe um caminho.

A querela do diálogo inter-religioso

0 Comments:

Postar um comentário